segunda-feira, 19 de novembro de 2012

No caminho da escola…


Tendo partido para França com os meus pais e os meus irmãos, à procura de uma vida melhor, no ano de 1969 (tinha eu 4 anos), a minha educação no contexto formal começou na pré-primária, na bonita Ville de Compiègne.
De 1972 a 1976, decorreu a minha instrução primária. Fui uma aluna razoável e destaquei-me sobretudo na língua francesa que eu considero a minha língua materna. Em casa falava-se português, e eu só o praticava em casa e na correspondência que trocava com as minhas amigas de Portugal.
Segui os estudos e ingressei o ciclo preparatório onde frequentei o 5º e 6º Anos (sixième e cinquième). A seguir ao Francês, as minhas disciplinas preferidas eram a Música, os Trabalhos Manuais e o Inglês, e detestava a Matemática. Recordo-me sobretudo de os professores perguntarem aos meus colegas franceses como era possível eles se deixarem “ultrapassar” por uma portuguesa, em relação à gramática e construção de frases. Os professores tentavam puxar por eles e fazê-los perceber que também poderiam obter bons resultados se eles se aplicassem. Na altura, isso enchia-me de orgulho e vaidade mas também suscitou nos meus colegas sentimentos de inveja e racismo.
Nas férias de verão do ano de 1978, os meus pais decidiram enviar-me para Portugal junto com uns tios. Sem motivação para voltar à escola, pois teria que retroceder no ensino, fui aprender costura (encaixo esta aprendizagem no contexto não-formal).
Em 1980, com a ilusão de que já se vivia bem em Portugal, os meus pais decidiram regressar ao país definitivamente. Não tinha incentivo nem motivação e não existiam as condições necessárias para continuar a estudar.
Só em 2001 e depois de vencer algumas “barreiras” impeditivas, decidi fazer o 9º Ano no ensino recorrente, na Escola Básica 2/3 de Eugénio de Castro. Como me faltou o apoio familiar (tão necessário para quem estuda à noite), findo o 9º Ano, fiquei mais uma vez estagnada em relação aos estudos, com muita pena minha, uma vez que todos os professores me tinham incentivado a continuar o secundário.
Eis que surge o ano de 2008, trazendo com ele dissabores a vários níveis. Sendo um ano muito negativo em termos emocionais, foi também uma “alavanca” para eu finalmente  começar a viver a vida que até então me tinha passado ao lado.
Em 2009 decidi ir fazer um RVCC que me daria equivalência ao 12º Ano. Apliquei-me, segui sempre as orientações da minha formadora, e, quando fui a júri para avaliação do meu trabalho, tive uma surpresa que me marcou profundamente e positivamente. Uma das formadoras presentes tinha sido minha professora aquando do 9º Ano. Diante da assembleia presente, ela elogiou-me enquanto pessoa e enquanto estudante e disse-me que eu não podia ficar-me pelo ensino secundário. Ali mesmo, prometi a mim mesma e aos demais ouvintes que assim seria!
Na escolha da ESEC para fazer uma licenciatura, pesou mais o fator económico, pois seria impossível para mim frequentar uma escola que ficasse longe de casa. Em relação ao curso confesso que não fazia a mínima ideia do que era Animação Socioeducativa, porém, dos três cursos existentes em regime pós-laboral, foi aquele com o qual me identifiquei mais.
O objetivo de concluir este curso é a realização pessoal em primeiro lugar, mas sei que em algum momento surgirá a oportunidade de colocar em prática tudo aquilo que estou a aprender.

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