Tendo partido para França
com os meus pais e os meus irmãos, à procura de uma vida melhor, no ano de 1969
(tinha eu 4 anos), a minha educação no contexto formal começou na pré-primária,
na bonita Ville de Compiègne.
De 1972 a 1976, decorreu
a minha instrução primária. Fui uma aluna razoável e destaquei-me sobretudo na
língua francesa que eu considero a minha língua materna. Em casa falava-se
português, e eu só o praticava em casa e na correspondência que trocava com as
minhas amigas de Portugal.
Segui os estudos e
ingressei o ciclo preparatório onde frequentei o 5º e 6º Anos (sixième e
cinquième). A seguir ao Francês, as minhas disciplinas preferidas eram a
Música, os Trabalhos Manuais e o Inglês, e detestava a Matemática. Recordo-me sobretudo
de os professores perguntarem aos meus colegas franceses como era possível eles
se deixarem “ultrapassar” por uma portuguesa, em relação à gramática e
construção de frases. Os professores tentavam puxar por eles e fazê-los
perceber que também poderiam obter bons resultados se eles se aplicassem. Na
altura, isso enchia-me de orgulho e vaidade mas também suscitou nos meus
colegas sentimentos de inveja e racismo.
Nas férias de verão do
ano de 1978, os meus pais decidiram enviar-me para Portugal junto com uns tios.
Sem motivação para voltar à escola, pois teria que retroceder no ensino, fui
aprender costura (encaixo esta aprendizagem no contexto não-formal).
Em 1980, com a ilusão de
que já se vivia bem em Portugal, os meus pais decidiram regressar ao país
definitivamente. Não tinha incentivo nem motivação e não existiam as condições
necessárias para continuar a estudar.
Só em 2001 e depois de
vencer algumas “barreiras” impeditivas, decidi fazer o 9º Ano no ensino
recorrente, na Escola Básica 2/3 de Eugénio de Castro. Como me faltou o apoio
familiar (tão necessário para quem estuda à noite), findo o 9º Ano, fiquei mais
uma vez estagnada em relação aos estudos, com muita pena minha, uma vez que
todos os professores me tinham incentivado a continuar o secundário.
Eis que surge o ano de
2008, trazendo com ele dissabores a vários níveis. Sendo um ano muito negativo
em termos emocionais, foi também uma “alavanca” para eu finalmente começar a viver a vida que até então me tinha
passado ao lado.
Em 2009 decidi ir fazer
um RVCC que me daria equivalência ao 12º Ano. Apliquei-me, segui sempre as
orientações da minha formadora, e, quando fui a júri para avaliação do meu
trabalho, tive uma surpresa que me marcou profundamente e positivamente. Uma
das formadoras presentes tinha sido minha professora aquando do 9º Ano. Diante
da assembleia presente, ela elogiou-me enquanto pessoa e enquanto estudante e
disse-me que eu não podia ficar-me pelo ensino secundário. Ali mesmo, prometi a
mim mesma e aos demais ouvintes que assim seria!
Na escolha da ESEC para
fazer uma licenciatura, pesou mais o fator económico, pois seria impossível
para mim frequentar uma escola que ficasse longe de casa. Em relação ao curso
confesso que não fazia a mínima ideia do que era Animação Socioeducativa,
porém, dos três cursos existentes em regime pós-laboral, foi aquele com o qual
me identifiquei mais.
O objetivo de concluir
este curso é a realização pessoal em primeiro lugar, mas sei que em algum
momento surgirá a oportunidade de colocar em prática tudo aquilo que estou a
aprender.
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