terça-feira, 20 de novembro de 2012

Aula do dia 8/11/2012,


Na aula do dia 8/11/2012, o Professor alertou-nos para o facto de revermos a nossa postura e maneira de estar enquanto adultos e alunos do ensino superior.
O momento de crise que todos atravessamos e a actual situação política indicam que os Politécnicos correm o risco de perder o estatuto de ensino superior que haviam adquirido. Assim sendo, devemos em tudo ser um exemplo, pois de outra forma não estaremos a dignificar a instituição que nos acolhe enquanto estudantes, a Escola Superior de Educação.
No decorrer da aula, a colega Sandra levantou uma questão que levou a um debate e troca de opiniões entre nós alunos, e o Professor. Na opinião da Sandra, não é justo o critério de entrada no ensino superior para alguns alunos, por exemplo os que vêm de um RVCC (Reconhecimento e Validação de Critérios e Competências).
Na minha opinião, este debate foi produtivo, pois permitiu-nos perceber que todos nós tivemos percursos de vida e oportunidades diferentes, mas todos possuímos saberes apreendidos, não só na aprendizagem formal, mas também pelas vivências do dia-a-dia, nas mais diversas situações.
Cada um de nós, enquanto alunos, terá as mais diversas razões para frequentar hoje o ensino superior. Enquanto aluna mais madura, cumpre-me enaltecer aqueles que, como eu, foram impulsionados pela motivação, determinação, interesse e espírito de sacrifício, entre outros, e se valeram das suas aptidões para poderem, hoje, frequentar uma instituição de ensino superior.
Em conclusão, a formação pessoal de cada um, e a educação, não se adquirem numa universidade ou num politécnico, e o percurso de cada um para lá chegar, (seja pelo processo normal, pelos maiores de 23, vindos de um RVCC, etc.) prova que as oportunidades são dadas a todos e não há facilitismos para ninguém. Sem trabalho e espírito de sacrifício, nada se alcança.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

No caminho da escola…


Tendo partido para França com os meus pais e os meus irmãos, à procura de uma vida melhor, no ano de 1969 (tinha eu 4 anos), a minha educação no contexto formal começou na pré-primária, na bonita Ville de Compiègne.
De 1972 a 1976, decorreu a minha instrução primária. Fui uma aluna razoável e destaquei-me sobretudo na língua francesa que eu considero a minha língua materna. Em casa falava-se português, e eu só o praticava em casa e na correspondência que trocava com as minhas amigas de Portugal.
Segui os estudos e ingressei o ciclo preparatório onde frequentei o 5º e 6º Anos (sixième e cinquième). A seguir ao Francês, as minhas disciplinas preferidas eram a Música, os Trabalhos Manuais e o Inglês, e detestava a Matemática. Recordo-me sobretudo de os professores perguntarem aos meus colegas franceses como era possível eles se deixarem “ultrapassar” por uma portuguesa, em relação à gramática e construção de frases. Os professores tentavam puxar por eles e fazê-los perceber que também poderiam obter bons resultados se eles se aplicassem. Na altura, isso enchia-me de orgulho e vaidade mas também suscitou nos meus colegas sentimentos de inveja e racismo.
Nas férias de verão do ano de 1978, os meus pais decidiram enviar-me para Portugal junto com uns tios. Sem motivação para voltar à escola, pois teria que retroceder no ensino, fui aprender costura (encaixo esta aprendizagem no contexto não-formal).
Em 1980, com a ilusão de que já se vivia bem em Portugal, os meus pais decidiram regressar ao país definitivamente. Não tinha incentivo nem motivação e não existiam as condições necessárias para continuar a estudar.
Só em 2001 e depois de vencer algumas “barreiras” impeditivas, decidi fazer o 9º Ano no ensino recorrente, na Escola Básica 2/3 de Eugénio de Castro. Como me faltou o apoio familiar (tão necessário para quem estuda à noite), findo o 9º Ano, fiquei mais uma vez estagnada em relação aos estudos, com muita pena minha, uma vez que todos os professores me tinham incentivado a continuar o secundário.
Eis que surge o ano de 2008, trazendo com ele dissabores a vários níveis. Sendo um ano muito negativo em termos emocionais, foi também uma “alavanca” para eu finalmente  começar a viver a vida que até então me tinha passado ao lado.
Em 2009 decidi ir fazer um RVCC que me daria equivalência ao 12º Ano. Apliquei-me, segui sempre as orientações da minha formadora, e, quando fui a júri para avaliação do meu trabalho, tive uma surpresa que me marcou profundamente e positivamente. Uma das formadoras presentes tinha sido minha professora aquando do 9º Ano. Diante da assembleia presente, ela elogiou-me enquanto pessoa e enquanto estudante e disse-me que eu não podia ficar-me pelo ensino secundário. Ali mesmo, prometi a mim mesma e aos demais ouvintes que assim seria!
Na escolha da ESEC para fazer uma licenciatura, pesou mais o fator económico, pois seria impossível para mim frequentar uma escola que ficasse longe de casa. Em relação ao curso confesso que não fazia a mínima ideia do que era Animação Socioeducativa, porém, dos três cursos existentes em regime pós-laboral, foi aquele com o qual me identifiquei mais.
O objetivo de concluir este curso é a realização pessoal em primeiro lugar, mas sei que em algum momento surgirá a oportunidade de colocar em prática tudo aquilo que estou a aprender.
       Esta frase tem para mim um significado muito especial. Todos nós ao longo das nossas vidas, de uma forma ou de outra, procuramos constantemente a felicidade. Fazemos projetos de vida como por exemplo casar, ter filhos, tirar uma formação académica e tantas outras coisas que planeamos de forma a nos sentirmos plenos e realizados, ou seja felizes. Estas coisas, de facto trazem-nos satisfação e felicidade, umas mais que outras, para algumas projetamos um grande resultado e, por vezes, revelam-se uma grande desilusão.
       Mas eu acredito que a instrução e a educação, o adquirir novos conhecimentos, nos enriquece enquanto pessoas, pois ficamos munidos de "ferramentas" para melhor enfrentar as situações que se nos deparam no dia a dia. No meu caso, a instrução e a educação dão-me mais ousadia para, por exemplo, participar em conversas sobre temas que dantes não dominava por falta de conhecimento.
      Ouvi uma vez uma frase de alguém que me disse: A melhor riqueza que se pode deixar a um filho não é dinheiro, mas sim um curso superior nas mãos. Bem sei que devido à atual situação do País, ter hoje um curso superior pode não valer de muito em termos profissionais, mas ninguém nos pode tirar o conhecimento adquirido que eu considero uma riqueza pessoal.